09/02/2026

Opinião | Tudo o Que a Neve Sussurra ao Cair | María Martinez

Para Hunter, a música é muito mais do que um conjunto de notas que dão forma a uma melodia. As canções que compõe são um refúgio. Acordes que falam de sonhos e medos. De vontade e carências. Compassos que iluminam as sombras do frio e solitário mundo no qual cresceu. Musas que transformaram o seu passado num presente brilhante. Contudo, essa inspiração emudece quando encontra uma carta escrita à mão no correio, que o obriga a questionar tudo o que sabe sobre si próprio.

A vida de Willow converteu-se num conjunto de momentos desordenados e sonhos frustrados. Sente que perdeu o seu lugar no mundo e já não se lembra dessa pessoa que sempre quis ser. Enquanto a neve cai silenciosa, Hunter e Willow descobrirão que o destino nem sempre tem a última palavra e que são os momentos, bons ou maus, que nos vão convertendo em tudo o que somos. Que por vezes basta ouvirmos o coração para nos encontrarmos connosco próprios. E que há amores de inverno, capazes de sobreviverem ao degelo e de se converterem em canções eternas.


Tudo o que a neve sussurra ao cair vive muito das suas personagens e do caminho que elas percorrem. Hunter aprendeu a sobreviver em silêncio, usando a música como refúgio e como forma de lidar com um passado que ainda pesa. Quando uma carta inesperada o obriga a questionar quem é e de onde vem, tudo começa a mudar.
Willow chega num momento de perda e desencontro, carregada de frustrações e de sonhos que ficaram pelo caminho. Sente que perdeu o seu lugar no mundo e tenta, aos poucos, reencontrar-se.
Os primeiros encontros entre os dois estão longe de ser pacíficos. Há atrito, resistência e muitas defesas erguidas. Nenhum deles está preparado para confiar, e isso torna a relação inicial tensa e cheia de silêncios. Mas é a partir desses desencontros que a história se constrói, com avanços e recuos, conversas difíceis e escolhas que exigem coragem.
A relação cresce de forma lenta e honesta, acompanhando o crescimento individual de cada um. Nada é fácil, nada é imediato, e é precisamente isso que torna esta história tão humana.
A escrita da Maria Martinez é emocional, simples e profundamente sentida. Não força emoções, deixa-nos senti-las. No fim, fica a sensação de ter acompanhado duas pessoas a enfrentarem quem são, a aceitarem o passado e a escolherem, finalmente, ficar.

“Às vezes, perder-nos é o único caminho para nos encontrarmos.”

Sinceramente falando, foi uma história que me ficou, mesmo depois de virar a última página.

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06/02/2026

Opinião | Ni Yo Tan Santa Ni Tú Tan Claus | Yanira Garcia

 

Ela comanda o caos. Ele causa-o. Bem-vindos à comédia romântica de Natal mais cheia de suspense do ano. 
"Querido Pai Natal, Acho que não te vai surpreender que esteja a escrever para explicar a enorme confusão em que me meti este ano. Foi o destino? O carma? Uma viagem aos cogumelos mágicos? Tudo isto junto? Enfim… ele também está aqui! De quem estou a falar? Não faças essa cara, tenho a certeza que sabes de quem estou a falar. Não te deixes enganar por aquela covinha fofa e horrível que ele tem, ou por aquele sorriso tonto e malicioso que ainda usa como arma de destruição maciça, ou por aquele charme que parece deslumbrar toda a gente. Continua tão bonito e sexy como sempre. Bem, Pai Natal, decidi agir como uma pessoa racional. Afinal, qual é o pior que pode acontecer? 
Que o encontre por aí? 
Que eu tropece e caia nos seus braços? 
Que me lembre de quanta falta ele me fez? 
Que as minhas pernas ainda tremam quando ele diz o meu nome? 
Que quero devorá-lo... com beijos? 

Repita comigo: Eu não gosto dele. 
Eu não o quero. 

Acredita em mim, não é?


Yanira Garcia, conseguiu, mais uma vez, escrever um livro delicioso, com personagens e momentos deliciosos.
Emma volta à sua terra natal para passar o Natal e a última coisa que esperava era encontrar lá o seu ex-namorado, Nash. Afinal, ambos tinham acordado uma espécie de custódia partilhada das férias natalícias: quando um ia, o outro não ia. Tinha sido assim desde que terminaram não só o namoro, mas também a amizade que mantinham desde crianças.

A partir daí, esta comédia romântica só melhora. As gargalhadas que o livro proporciona trazem alegria e cor a dias que, para mim, têm sido especialmente cinzentos, e isso fez toda a diferença na leitura.

Emma e Nash complementam-se de uma forma muito natural, ao ponto de ser difícil perceber como conseguiram ficar tanto tempo longe um do outro. Emma é determinada, tem aquele humor azedo que eu tanto gosto, mas também um coração enorme e um amor por Nash maior do que qualquer desgosto que ela acredita que ele lhe causou no passado.
Já Nash é o tipo de homem a quem é impossível resistir: simpático, inteligente e com um coração cheio de amor para dar. Em algum momento, decidiu que não queria ser ele a travar os sonhos de Emma e deixou-a voar, mesmo correndo o risco de criar um mal-entendido difícil de reparar.

Adorei a relação dele com os irmãos e com as melhores amigas de Emma. Duas delas sabiam exatamente o que tinha acontecido e carregavam o peso de não poder revelar a verdade, o que acrescenta ainda mais tensão e emoção à história.

É escusado dizer que o reencontro de Emma e Nash reacende a chama que sempre esteve escondida no coração de ambos. Foi uma delícia acompanhar tudo o que acontece não só com eles, mas também com Nevaeh, Remi e Pier. Os irmãos de Nash também não ficam esquecidos e acrescentam muito à dinâmica familiar.

Ainda assim, a história que mais me marcou foi a do vizinho de meia-idade, Quinn, e da sua amada Brielle. Tenho de admitir que foram eles, e o amor que partilham, que me fizeram derramar algumas lágrimas. Mas para perceberem porquê, vão mesmo ter de ler… porque isso não vos vou contar 😊

Uma história de recomeços e segundas oportunidades que aquece o coração e me conquistou completamente.

"Faço-o porque tudo o que te importa importa para mim. Tudo o que tu quiseres, eu também quererei. Tudo o que tu fores, eu serei. Tudo o que pedires, eu dar-to-ei."

Esta frase é uma declaração de amor construída sobre a escolha consciente, não sobre a anulação. Não fala de obrigação nem de sacrifício cego, mas de alguém que decide caminhar ao lado do outro, alinhando desejos, vontades e sonhos por amor, porque se importa, genuinamente.
O que a torna tão poderosa é a repetição de “tudo". Mostra entrega total, sim, mas também intimidade profunda. É o retrato de um amor que nasce do cuidado e da empatia, onde querer o outro passa por querer com o outro, não acima nem à custa de si próprio.
É uma frase simples, mas cheia de intenção, daquelas que ficam, porque traduzem a ideia de que amar é escolher, todos os dias, estar presente.


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13/01/2026

Opinião | A Teoria do Amor | Ali Hazelwood | Desrotina

 

Da autora bestseller de A Hipótese do Amor e A Ciência do Amor chega uma nova comédia STEMinista na qual dois físicos rivais colidem em intrigas académicas e falsos namoros.
A física teórica Elsie Hannaway está na iminência de ser apanhada na curva pelas muitas vidas que leva. Durante a maior parte dos dias, é professora adjunta, ocupada pelas árduas tarefas de laboratório e pelas aulas de termodinâmica, sonhando com um estatuto profissional que, enfim, lhe dê estabilidade. Noutros dias... bem, noutros dias, como forma de compensar o inexistente salário, exerce o papel de falsa namorada, socorrendo-se das suas habilidades inatas para se tornar em qualquer versão dela própria que o seu cliente aprecie.
Bem vistas as coisas, até é uma tarefa que desempenha com interesse, isto até que o seu próprio universo desaba. A culpa é de Jack Smith, o irmão mais velho e irritantemente atraente do seu cliente favorito; e também o físico experimental que arruinou a carreira do mentor dela e prejudicou a reputação de uma série de outros físicos teóricos por todo o lado. E, como se tal não bastasse, é o mesmo Jack Smith que integra o comité de contratação do MIT, mesmo entre Elsie e o emprego que ela ambiciona.
Elsie até se sente preparada para uma desenfreada guerra de sabotagens académicas... mas o que fazer àqueles olhares demorados e penetrantes? O que fazer à sensação de não ter de ser mais ninguém, a não ser ela própria, sempre que está perto de Jack?


Este livro, dos que já li da autora, terá de ser o que menos gostei. Não é que tenha detestado, mas por mais adorável que a Elsie e o Jack sejam, há coisas que poderiam ter sido muito melhores.
Elsie está a trabalhar como professora adjunta, tendo que dar demasiadas aulas para o seu próprio bem. Ela tem de complementar o seu ordenado fraco com um part-time sendo namorada falsa uma vez que tem um dom de se adaptar de forma a agradar todas as pessoas que a rodeiam.
Quando surge a oportunidade de ter o emprego com o qual sempre sonhou, surge Jack, o irmão de alguém que ela conhece e da qual finge ser a namorada falsa. Estaria tudo bem, se esse mesmo Jack não fizesse parte do juri de selecção para o lugar que ela quer na área da investigação.
A questão é que, sendo ela investigadora chocava de frente com Jack que era quem sempre tinha sido conhecido e falado no mei de cientistas como aquele que deitava a parte da investigação abaixo.
No entanto, acho que desde o início que aquele “ódio” de estimação que eles nutriam um pelo outro não passava de uma atracção muito forte. E foi isso que me irritou um pouco neste livro. Era tudo muito técnico, não houve muitos momentos apaixonados e até eles se aperceberem o que sentiam um pelo outro, leva demasiado tempo.
Sei que é suposto ser um slow burn, mas acaba por ser demasiadamente lento... Apetece entrar no livro e dar uma sacudida em cada um deles.
Se no início gostei bastante da Elsie, por ser uma miúda inteligente e desenrascada e com um humor irónico, exactamente como eu gosto, ao longo do livro ela foi mostrando uma faceta sua que não me agradou... Não tinha coragem para enfrentar a mãe e os irmãos, não conseguia acreditar que alguém como Jack pudesse sequer ter o minímo de interesse nela e, pior que tudo, aguentou até à última aquele orientador detestável. Nunca fui com a “cara” dele, desde que ela começou a falar nele.
Gostei mais do Jack, sou sincera. Ele era o que era e nunca deixou de ser e de mostrar exactamente aquilo que achava ou pensava. Não é pessoa de se anular em função daquilo que os outros esperam dele ou querem dele. Pelo contrário, Elsie, entrou numa espiral de anulação em que apenas aquilo que os outros esperavam dela é que importava e aquilo que ela realmente sentia, não vinha em primeiro lugar.

Adorei rever a Olive e o Adam. Acho que até agora são o casal que mais gostei... ela por ser tão diferente e ele por ser tão rezingão, mas super apaixonado por ela.
Estava mesmo à espera de gostar muito mais deste livro da Elsie e do Jack mas, de qualquer forma, é um livro que recomendo, principalmente para quem já leu os anteriores.

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Opinião + Aesthetic | Roubei-te um Beijo | Alex Light | Porto Editora

  
Eden tem uma melhor amiga, Katie, e não precisa de mais ninguém. Mas, um dia, conhece o irmão mais velho dela.
Truman, o artista. Truman, o tímido. Truman, o rapaz com um sorriso inocente e um olhar perigoso...
Os dois nunca se tinham encontrado verdadeiramente, até à noite do acidente de Katie. A noite daquele beijo. A noite em que o céu desabou sobre os dois.
Com Katie no hospital, o irmão sente-se incapaz de lidar com a dor, e deixa a cidade. Eden, por seu lado, fica perdida e abandonada. E tudo por causa daquele primeiro beijo…
Quando Truman regressa, ambos sentem que estão destinados um ao outro Mas conseguirão existir para além da dor?

Não posso, em boa consciência, dizer-vos que este livro é magnífico. A meu ver, parece-me ser daqueles livros que ou se adora, ou se detesta. Já eu, estranha como sou, fico-me pelo meio.
É uma história que, a nível de qualidade de escrita está muito boa, mas peca por ser demasiado lento, algo que difere muito do primeiro livro que li da autora, “Amor à Segunda Vista”, em que tudo fluí naturalmente. Então porque dei as quatro estrela, perguntam vocês... Bem, dei as quatro estrela porque, apesar de tudo o que não me atraíu de todo, conseguiu fazer-me feliz. A simples menção de tradições portuguesas no livro e entre as personagens valeu tudo. Eden é uma jovem prestes a iniciar a sua vida universitária quando, subitamente, perde a sua melhor amiga, aquela que era a sua pessoa mais especial no mundo todo e, com a qual, tinha feito tantos planos assim que saíssem do liceu. Estava tudo combinado, só que Katie sofre um acidente e, embora não tenha morrido, fica meses e meses em coma, como todos à volta dela à espera que um dia ela acorde e volte ao que era antes. no entanto, neste panorama todo temos Truman, o irmão mais velho da melhor amiga de Eden e que ocupa o coração dela, romanticamente falando. É um segredo que ninguém sabe, nem mesmo Katie que era a confidente e a caixinha dos segredos de Eden. Entendo que ela não quisesse que se soubesse que gosta de Truman desde sempre, ainda para mais, sendo ele alguns anos mais velho e irmão da melhor amiga. É estranho, percebo. Contudo, não acho que tivesse sido motivo para tanto secretismo e tantas frustrações. A certa altura, vale mais dizer a verdade e aguentar as reacções, boas ou más.
Eden sente-se culpada pelo acidente de Katie. E porquê? Porque na altura em que ela sofre o acidente, era suposto elas estarem juntas. Ao invés disso, Katie estava com Truman, num momento especial e pelo qual ela tinha esperado desde que o conhece. Essa culpa vai acabar por mudar tudo e Eden acaba por afastar-se de toda a gente e de todos os planos que tinha para o futuro.
Truman, levado pela mesma culpa, desaparece e quando reaparece, todos os sentimentos que Eden tinha enviado para o fundo do seu coração voltam à tona. Não fosse pelo acidente trágico de Katie, Truman e Eden poderiam ter sido muito felizes.
Acaba por ser uma história muito triste e que nos traz um rol de sentimentos intensos que não é suposto terem um papel tão grande na vida de pessoas tão novas. Em vez de se estarem a divertir e a planear o futuro, Eden e Truman passam os dias no hospital à espera que Katie acorde e volte para eles, para que tudo volte ao que era antes.
Como disse antes, adorei as referências a Portugal e às tradições portuguesas. Eden acaba por ir trabalhar num pequeno restaurante de famílias com origens portuguesas e, sendo no Canada, que bem sabemos que está repleto de portugueses, a emoção aumenta sempre que ouvimos falar nas comidas portuguesas, por exemplo.

Gostava que esta história que corre sempre de uma forma tão triste e sofrida pelo menos tivesse tido um final mais feliz e compensador.
Em todo o caso, aconselho a que o leiam, se tiverem a oportunidade.
 
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09/01/2026

Opinião+Aesthetic | Clube das Princesas Amaldiçoadas, Vol.2 | Edições ASA

Esta é a GwendolyN — a prova viva de que as princesas nem sempre têm tudo.
Apesar de viver num castelo e de ser filha do rei, Gwendolyn não é como as princesas dos contos de fadas, nem tem uma beleza convencional.
Mas, certa noite, descobre sem querer o mundo sinistro do Clube das Princesas Amaldiçoadas e a sua vida nunca mais volta a ser a mesma...
Depois de entrar no Clube das Princesas Amaldiçoadas, Gwen descobre que a baixa autoestima não é apenas coisa de raparigas — apresento-te os Princels! Além disso, o príncipe Frederick começa a pensar se merece realmente a Gwen... E há mais: também tu podes aprender a ser tão bonita como uma Princesa Amaldiçoada! 
Este volume reúne os episódios 35-61 da encantadora banda desenhada do WEBTOON Clube das Princesas Amaldiçoadas.

Consegui gostar ainda mais deste segundo volume do que do primeiro e, se bem se lembram, eu já tinha adorado o primeiro.
A banda desenhada continua com cores lindas e vibrantes e é uma das artes mais bonitas que já vi pois lembra-me muito os desenhos animados japoneses que via quando era mais criança.
Neste segundo volume continuamos a acompanhar a nossa querida e doce Gwendolyn. No entanto, encontramo-la magoada internamente e insegura de si como nunca tinha estado antes. Tudo porque o princípe que lhe estava destinado disse que ela era feia. Tanto na ficção como na vida real, as palavras magoam, muito embora costumem dizer que “as palavras, o vento leva” e têm sempre o seu impacto.
Contudo, também as amizades podem ajudar a curar os males do coração e Gwendolyn tem um lote de amigos que, aos poucos, vão fazer com que ela se sinta novamente bem na sua pele. As irmãs e o irmão também são fantásticos nesse aspecto e Gwendolyn nunca está sozinha.
Embora seja uma banda desenhada, traz-nos tantos ensinamentos. Tenham amor próprio. Não sejam ofensivos. Não deitem os outros abaixo só porque não cumprem os “requisitos” que imperam na sociedade. Sejam amigáveis e prestativos. Sejam mais como a Gwendolyn que só quer partilhar os seus cozinhados feitos com tanto empenho e amor. Sejam sensíveis e estejam atentos ao que os outros sentem. Apoiem-se nos vossos amigos verdadeiros. Aqueles que, não interessa como, nem porquê, vão estar sempre do vosso lado.
A vida recheada de bons sentimentos é sempre muito mais colorida.
Ansiosa para ler o terceiro volume!



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