Para Hunter, a música é muito mais do que um conjunto de notas que dão forma a uma melodia. As canções que compõe são um refúgio. Acordes que falam de sonhos e medos. De vontade e carências. Compassos que iluminam as sombras do frio e solitário mundo no qual cresceu. Musas que transformaram o seu passado num presente brilhante. Contudo, essa inspiração emudece quando encontra uma carta escrita à mão no correio, que o obriga a questionar tudo o que sabe sobre si próprio.
A vida de Willow converteu-se num conjunto de momentos desordenados e sonhos frustrados. Sente que perdeu o seu lugar no mundo e já não se lembra dessa pessoa que sempre quis ser. Enquanto a neve cai silenciosa, Hunter e Willow descobrirão que o destino nem sempre tem a última palavra e que são os momentos, bons ou maus, que nos vão convertendo em tudo o que somos. Que por vezes basta ouvirmos o coração para nos encontrarmos connosco próprios. E que há amores de inverno, capazes de sobreviverem ao degelo e de se converterem em canções eternas.
Tudo o que a neve sussurra ao cair vive muito das suas personagens e do caminho que elas percorrem. Hunter aprendeu a sobreviver em silêncio, usando a música como refúgio e como forma de lidar com um passado que ainda pesa. Quando uma carta inesperada o obriga a questionar quem é e de onde vem, tudo começa a mudar.
Willow chega num momento de perda e desencontro, carregada de frustrações e de sonhos que ficaram pelo caminho. Sente que perdeu o seu lugar no mundo e tenta, aos poucos, reencontrar-se.
Os primeiros encontros entre os dois estão longe de ser pacíficos. Há atrito, resistência e muitas defesas erguidas. Nenhum deles está preparado para confiar, e isso torna a relação inicial tensa e cheia de silêncios. Mas é a partir desses desencontros que a história se constrói, com avanços e recuos, conversas difíceis e escolhas que exigem coragem.
A relação cresce de forma lenta e honesta, acompanhando o crescimento individual de cada um. Nada é fácil, nada é imediato, e é precisamente isso que torna esta história tão humana.
A escrita da Maria Martinez é emocional, simples e profundamente sentida. Não força emoções, deixa-nos senti-las. No fim, fica a sensação de ter acompanhado duas pessoas a enfrentarem quem são, a aceitarem o passado e a escolherem, finalmente, ficar.
“Às vezes, perder-nos é o único caminho para nos encontrarmos.”
Sinceramente falando, foi uma história que me ficou, mesmo depois de virar a última página.
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