18/03/2026

Opinião | Romance de Férias | Catherine Walsh | Desrotina Editora


Ela devia estar a entrar num avião, não numa relação...
Todos os anos, Molly e Andrew encontram-se no aeroporto de Chicago para irem juntos para a Irlanda. Passam as sete horas de voo a coscuvilhar, a falar da vida e a beber vinho de avião em copos de plástico.
No entanto, este ano, o décimo aniversário da sua reunião, é diferente. Uma tempestade de neve está a assolar o Atlântico, levando a que todos os voos sejam cancelados.
Andrew adora o Natal. Adora o ambiente festivo e as tradições e não quer perder a oportunidade de ver a família nesta época tão especial, seja por que motivo for. Molly considera-se uma pessoa pouco sentimental, que não liga muito ao Natal. No entanto, quando o voo para a Irlanda é cancelado, ela faz o que qualquer amiga faria nessa situação.
Promete a Andrew que chegarão a casa antes da véspera de Natal e fará tudo o que estiver ao seu alcance para cumprir essa promessa. Molly e Andrew embarcam numa viagem louca, utilizando uma combinação bizarra de táxis, aviões, barcos e comboios, para tentar chegar ao seu destino.
No entanto, perante dois amigos que têm a certeza de que não estão destinados um ao outro, o Universo está a fazer os seus próprios planos...
Um romance festivo de amigos que se tornam mais. Perfeito para fãs de Sophie Kinsella, Mhairi McFarlane e Christina Lauren.
Romance de Férias acabou por ser uma leitura que me conquistou, mas não de forma imediata. Os primeiros capítulos, e diria até perto da página 200, avançam de forma bastante lenta, com a história a desenrolar-se de maneira um pouco mastigada. Foi uma leitura que pediu paciência e tempo.
No entanto, a partir de meio do livro, tudo começa finalmente a encaixar. A relação entre as personagens ganha mais profundidade, os diálogos tornam-se mais naturais e a ligação emocional passa a fluir com muito melhor. É nesse ponto que o livro começa realmente a brilhar.
As personagens são humanas, imperfeitas e fáceis de compreender, cada uma com as suas inseguranças e expectativas. Gostei especialmente da forma como a autora constrói a dinâmica entre elas de forma gradual, sem pressas, permitindo que a confiança e a cumplicidade cresçam aos poucos, mesmo que esse crescimento seja, por vezes, mais lento do que o desejado.
A escrita da autora é leve e acolhedora, perfeita para quem aprecia romances suaves, focados nos sentimentos e nos pequenos momentos. Não é uma história cheia de grandes reviravoltas, mas sim um romance sobre conexão e encontros que fazem sentido quando estamos prontos para eles.
Dei 4 estrelas porque, apesar do início mais parado, acabei por gostar bastante da evolução da história e da relação entre as personagens. É um livro que melhora com o tempo e que, no final, deixa uma sensação confortável e um sorriso tranquilo no rosto.
Uma leitura ideal para quem gosta de romances calmos, para ler sem pressa e com expectativas ajustadas.
“Às vezes, as pessoas certas aparecem quando não estamos à procura, apenas quando estamos prontos."
Esta frase resume perfeitamente este livro. A história não fala apenas de amor, mas de timing, de crescimento pessoal e de aprender a baixar as defesas. O romance entre as personagens constrói-se quando ambos começam a entender o que querem, e isso explica também o ritmo mais lento do livro. É um amor que não surge em explosão, mas em silêncio, paciência e pequenos gestos, tornando o final mais reconfortante.

Opinião também publicada no Instagram - Sinfonia dos Livros

05/03/2026

Opinião | Só Te Quero a Ti | Mia Sheridan | Edições ASA

 

Uma mulher destruída... Há muito tempo que Crystal deixou de acreditar no amor, preferindo a apatia permanente ao risco de um desgosto amoroso. Por detrás da sua aparente frieza esconde-se um coração partido, uma mente desconfiada, uma alma fechada em si mesma... Um homem que precisa de ajuda ... E de repente surge Gabriel Dalton. Apesar do seu passado sombrio, Gabriel é gentil e bondoso. Crystal sente-se irremediavelmente fascinada por ele e, mesmo sabendo o preço a pagar, ela começa a questionar todas as verdades que sempre considerou irrefutáveis... Só o amor cura um coração despedaçado. Nunca ocorrera a Crystal e a Gabriel que o mundo que lhes roubara tudo pudesse agora recompensá-los com um amor tão avassalador. Mas o destino dá apenas o primeiro passo, cabe-lhes a eles fazer a derradeira escolha: fechar novamente o coração ou encontrar a coragem de se libertarem de um passado infeliz...

Este livro... O que dizer sobre um livro que me tocou tanto? Ora, vamos lá ver...

Crystal já não vive. Sobrevive.
Fechou o coração, desligou as emoções e convenceu-se de que sentir dói demasiado. Há nela uma frieza que não é indiferença. É proteção. É medo. É cansaço de perder. Como sempre tinha acontecido até aquele ponto na sua vida em que pensava que não podia descer mais fundo...

E depois aparece Gabriel Dalton.
Gabriel também carrega sombras, daquelas bem pesadas, que marcam uma vida inteira, mas há nele uma doçura inesperada. Uma paciência que não exige, que não força. Ele vê Crystal. Mesmo quando ela faz tudo para não ser vista. E é impossível não nos apaixonarmos por ele um bocadinho também.
O que mais me tocou nesta história foi isto: dois corações partidos que não se salvam um ao outro de forma mágica, escolhem, todos os dias, tentar. Escolhem confiar quando seria mais fácil fugir. Escolhem amar mesmo sabendo o risco.
A relação deles cresce muito devagar, com medo, com hesitação, mas com uma verdade que se sente na pele. Não é um amor perfeito. É um amor que cura.
E eu senti cada passo. Cada aproximação. Cada recuo. Cada hesitação e cada mágoa em deixarem-se ser amados. Principalmente Crystal.

Terminei com o coração cheio e aquela sensação rara de ter lido uma história que dói… mas que também aconchega.

E no meio de tanta dor e tanto medo, há uma frase que fica:
“Não são as coisas que fazemos com amor e boas intenções que acabamos por lamentar. São as coisas que não fazemos que temos de aprender a viver. Sê honesto contigo próprio quanto às tuas intenções, Gabriel, e depois segue o teu coração. Independentemente do desfecho, nunca viverás com arrependimentos.”

Porque no fundo é isto que esta história nos ensina: amar é um risco. Mas viver com arrependimento dói muito mais.

E o Gabriel e a Crystal escolheram amar.
E eu senti cada segundo dessa escolha.

Cinco estrelas, sem dúvida.

Opinião Publicada no Instagram