23/03/2020

Opinião | Os Outros | C.J. Tudor | Editorial Planeta Portugal


Uma rapariga pálida num quarto branco…

Ao conduzir uma noite para casa, Gabe vai atrás de um velho carro, quando vê a cara de uma menina aparecer na janela.

Ela diz uma palavra: papá.
É a sua filha de cinco anos, Izzy.
E nunca mais a vê.

Três anos mais tarde, Gabe passa os dias a conduzir na auto-estrada à procura do carro que levou a filha, recusando-se a desistir. Apesar de todos pensarem que Izzy está morta. Fran e a filha, Alice, também estão na auto-estrada. Não estão à procura. Estão em fuga. Tentando manter-se um passo à frente das pessoas que lhes querem fazer mal. Porque Fran sabe a verdade. Ela sabe o que aconteceu à filha de Gabe.
Sabe quem é o responsável e o que lhe farão a si e a Alice se a apanharem.


Este livro apanhou-me numa maré em que não me apetecia ler nada, por conta de leituras anteriores que me deixaram numa espécie de marasmo literário. Por isso, e por ser uma autora que aprendi a gostar imenso, decidi-me a pegar nesta nova aventura misteriora de C.J. Tudor.

Este é o terceiro livro que leio da autora e, felizmente, de cada um que vou lendo vou sempre gostando mais. Se no "O Homem de Giz" temos um mistério inquietante e de difícil desfecho, neste temos, em comparação com o "Levaram Annie Thorne", uma criança envolvida, o que custa sempre mais a "digerir". Se por um lado, aqui temos a certeza que Izzy, a menina de Gabe não foi, de todo, magoada, no outro isso não acontece. Acabei por gostar mais do rumo que este "Os Outros" levou do que o anterior, justamente por ser uma criança o centro de tudo.

Os primeiros capítulos, pelo menos para mim, levaram-me mais tempo a "entrar". Não sei se era por estar mais distraída ou cansada, mas foram um pouco mais lentos. No entanto, depois que a coisa encarrilou, aquilo foi num instantinho. Desde a altura em que temos acesso a todos os envolvidos, ainda que, aparentemente, nenhum deles tenha nada a ver uns com os outros, acabamos por conseguir pegar no fio de tudo e ir seguindo as pistas e migalhinhas que nos são lançadas até chegarmos ao que realmente aconteceu.

Gosto particularmente de livros que têm saltos no tempo e nas personagens. Gosto de saber o que pensa cada uma das personagens e o que aconteceu, nem que seja aos pouquinhos e C.J. Tudor faz isso na perfeição. Ajuda muito a que a leitura não se torne aborrecida e monótona. 

Sem alongar e revelar muito, tudo começa quando Gabe, de regresso a casa, repara que no carro à sua frente vai uma criança e que essa criança é a própria filha de cinco anos. No entanto, nem ele conhece aquele carro, nem a condutora é a esposa. Como é normal, Gabe tenta perseguir o carro, mas perde-o de vista. Minutos depois, recebe a noticia de que tanto a mulher como a filha foram encontradas mortas, na sua própria casa. Para Gabe é impossível acreditar que a filha esteja morta pois acabara de a ver e tinha a certeza absoluta que era a sua menina. 
Apesar de todos os esforços policiais em resolver o caso, chega a uma altura em que desistem. No entanto, Gabe nunca desistiu e, passados três anos de estrada e procura constantes, Gabe está mais perto do que nunca de resolver e perceber tudo o que aconteceu ... Seria pouco provável que, o seu passado trágico viesse assombrá-lo e destruir tudo o que tinha conquistado. Um emprego, uma casa, uma família feliz (dentro das possibilidades). O passado sempre vem reclamar o que aconteceu e, mais cedo ou mais tarde, o castigo sempre aparece. No caso de Gabe, esse passado já o castigava desde que se lembrava, mas pelos vistos, ainda não era o suficiente.

De uma forma absolutamente deliciosa, Tudor consegue prender-nos até à última página através de uma escrita fluída e simples. Criou personagens fascinantes nos seus pensamentos e acções e, conseguiu dar os quinze minutos de fama a uma personagem que sempre passou ao lado de tudo e que, foi, irremediavelmente o "cérebro" por detrás de toda aquela tragédia.

Recomendo sem qualquer dúvida!!

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