24/08/2016

Opinião | Viver depois de Ti | Jojo Moyes

Lou Clark sabe muitas coisas. Sabe quantos passos deve dar entre a paragem do autocarro e a sua casa. Sabe que trabalha na casa de chá The Buttered Bun e sabe que não está apaixonada pelo namorado, Patrick. O que ela não sabe é que vai perder o emprego e que todas as suas certezas vão ser postas em causa. 
Will Traynor sabe que o acidente de motociclo lhe tirou o desejo de viver. Sabe que agora tudo lhe parece triste e inútil e sabe como pôr fim a este sofrimento. O que não sabe é que Lou vai irromper na sua vida com toda a energia e vontade de viver. E nenhum deles sabe que as suas vidas vão mudar para sempre. 
Em "Viver Depois de Ti", Jojo Moyes aborda um tema difícil e controverso com sensibilidade e realismo, obrigando-nos a reflectir sobre o direito à liberdade de escolha e as suas consequências.

Já acabei este livro há muitos dias atrás, mas depois de o acabar fui completamente incapaz de fazer qualquer comentário ou opinião, com receio de meter os pés pelas mãos. Fiquei absolutamente rendida a esta história. Chorei como uma desalmada, principalmente no final, porque o meu coração de manteiga esperava sinceramente que algo de miraculoso acontecesse. E aconteceu, de facto. O milagre do amor que salvou tanto a Lou como o Will. Ensinou-os que o amor não precisa ser entre duas pessoas perfeitas. O amor nasce onde e quando menos esperamos.
Esta história há-de estar na minha mente por muitos e muitos anos e só espero ter tempo para ler e reler este livro maravilhoso outra e outra vez, porque sei que de todas as vezes que o ler, vou sentir exactamente o mesmo ou ainda com mais força. Esta história entre uma Lou Clark, destemida e um pouco louca, e Will Traynor resmungão, de mal com a vida e ex praticante de desportos radicais e perigosos. Um Will preso a uma cadeira de rodas e sem qualquer esperança de voltar a ser o homem vibrante e destemido que era. Não é de admirar que ele não sentisse alegria e fosse um homem amargo e sarcástico com os que o rodeiam. No entanto, desde que o conheci, nunca tive aquela sensação de que ele era um homem azedo e rude. Era, pelo contrário, um homem decidido e forte a quem a vida lhe tinha pregado uma valente rasteira e que queria retomar o comando da sua própria vida.
Lou é, efectivamente, uma lufada de ar fresco. É divertida e diligente, embora muitos tentem fazer com que ela pense que não é uma mulher inteligente e que aos vinte e seis anos, tem muita sorte de ter um namorado como Patrick, o corredor. Por falar nele, foi a única personagem que realmente não me caiu nas boas graças. É egoísta, egocêntrico e não sabe dar valor à vida que tem e nem se compadece de quem, por infortúnio da vida, precisa dos outros para quase tudo, até para coçar uma simples orelha. Estava sempre ansiosa que Lou abrisse os olhos e visse a criatura enervante que era o namorado.
Adorei a forma como aos poucos Lou foi derrubando os muros de Will. Aos poucos foi entrando no seu coração para nunca mais de lá sair. 
Will, por sua vez, também conseguiu fazer com que a Lou resignada a viver naquele pedaço de terra, a ter uma vida sossegadinha e pacata começasse a ver a vida com outros olhos. Com olhos de uma mulher vibrante e com desejo de conhecer o mundo e ser mesmo alguém que viveu intensamente, como ela mesma era... intensa.
Como disse antes, não consegui escrever uma opinião "decente" assim que acabei o livro, embora tivesse mil e uma coisas a dizer sobre este livro maravilhoso, mas nunca seria o suficiente. Jojo Moyes arrebatou-me por completo com esta história. Converteu uma história de sofrimento, desilusões e lágrimas, por uma história apaixonante de uma mulher simples que conhece um homem maravilhoso (ainda que incapacitado quase por completo) e juntos aprenderam que a vida, por mais sofrida que seja, vale sempre a pena ser vivida porque nunca se sabe quando vamos encontrar sempre mais motivos para amar.
Acho que enquanto viver, vou ter sempre esta história na minha mente. Jojo Moyes acaba de ganhar mais uma fã incondicional!
 
(Este exemplar foi gentilmente cedido pela Porto Editora em troca de uma opinião sincera)

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