12/08/2016

Opinião | Até que o Amor me Mate | Maria João Lopo de Carvalho

A história singular de um mundo maior e de um amor maior.

São sete as mulheres que aqui cruzam a vida de Luís Vaz de Camões. Sete as mulheres que mais o amaram ao longo dos seus 55 anos de vida. Esta é a história do homem, do poeta, do soldado, do marinheiro. Uma história de conquistas e esperas, de amores e desamores, de tempos de ventura e desventura, de ódios e paixões; uma história contada no feminino a sete vozes que, vindas de longe e atravessando terras e mares, encontram porto de abrigo na intimidade dos nossos corações. 
Esta é a história de um homem que em palavras, versos, estrofes consegue viajar no tempo para nos trazer a história singular de um mundo maior e de um amor maior. Uma história imortal que 500 anos depois continua viva, nova, próxima e presente.
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À primeira vista, tanto o título como a sinopse deste livro deram-me uma certa ideia de que se trataria de um romance histórico. Mas a verdade é que as expectativas que tinha para esta obra eram bastante diferentes daquilo que vim a ler. Histórico o livro é com certeza, mas considero que faltou o romance que deu a entender que seria.
Ao longo da obra, as musas de Luís de Camões vão sendo apresentadas, sendo que os capítulos são divididos entre todas. É verdade que estas são dadas a conhecer ao leitor. Mas não mais além do que a descrição de algumas cenas das suas vidas quotidianas e costumes do século XVI e aquilo que vivenciaram numa suposta viagem pelo mar adentro juntamente com Camões.
Ao longo da narrativa, a autora fez um excelente trabalho em apresentar algumas estrofes líricas do trabalho de Luís de Camões que se encaixaram perfeitamente no desenvolvimento da história. Contudo, a certo ponto, os referidos excertos tornavam-se cada vez mais longos. Isto não só tornou a leitura um pouco melancólica, como me fez querer que talvez a seleção das estrofes unicamente necessárias deixou de ser feita.
A escrita da autora cativou-me até certo ponto, mas o facto de as personagens serem apresentadas sem grande background ou apresentação deixou-me um bocadinho confusa, como se tivessem “caído de paraquedas” na história ou perdido algum capítulo.
Considero que a autora Maria João Carvalho fez um ótimo trabalho no que diz respeito à pesquisa de informação e de fontes que pudessem ser úteis para a elaboração desta história. No entanto, alguma da bibliografia serviu única e exclusivamente para denominar certas localidades e monumentos pela sua designação original.
É um bom livro para quem gosta dos géneros mais históricos e quem aprecia a lírica de Luís de Camões.  Mas devido aos aspetos pelos quais a história peca, considero que a narrativa teria mais valor se as personagens tivessem tido uma apresentação diferente e se o enredo da obra tivesse sido mais claro e trabalhado.
(Este livro foi gentilmente cedido pela Oficina do Livro em troca de uma opinião sincera).

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