23/01/2019

Opinião | Para Onde Vou... | Gayle Forman | Editorial Presença

Sozinhos, eles estão perdidos. Juntos, descobrem-se a si próprios. 
Freya perde a voz enquanto grava o seu álbum de estreia. Harun faz planos para se afastar de todos aqueles que ama. Nathaniel acaba de chegar a Nova Iorque, de mochila às costas, sem planos definidos e sem ter nada a perder. 
Quando um acidente fatídico junta os três jovens, que até aí não se conheciam, os seus segredos começam a revelar-se ao mesmo tempo que cada um deles começa a compreender que a maneira de superar as suas próprias perdas será ajudando os outros a superarem as deles. 
Narrado a partir da perspectiva de cada um dos protagonistas, o novo romance de Gayle Forman aborda, numa prosa elegante e absorvente, o poder da amizade e do amor e a coragem de sermos fiéis a nós mesmos.

(Pode Conter Spoilers)
Mais uma vez, Gayle Forman não me desiludiu! Já li todos os livros dela, publicado em Portugal e não me arrependo nada. Desde o primeiro livro que li dela, até este, nota-se um crescimento muito grande a nível de escrita e das próprias histórias. As personagens são apaixonantes e não deixam sempre de nos ensinar qualquer coisa.
Neste livro temos três jovens que, sendo muito diferentes, são iguais nas suas dúvidas, incertezas, problemas e crenças.
Freya é uma jovem cantora em ascensão quando, subitamente, perde a voz que encantou tantos fãs, ainda para mais, a meio de um novo álbum. Ninguém sabe o porquê, embora já tenha feito exames médicos, terapias e consultas neurológicas para tentar determinar a causa. Harun, por sua vez, luta contra a sua natureza e esconde de tudo e de todos que apenas quer que o deixem amar quem ele quiser. Está numa fase em que tem o coração destroçado, mas apesar disso, consegue abrir o coração a dois estranho que entraram de rompante na sua vida, quando ele menos esperava. Nathaniel é o terceiro personagem, e o meu preferido, que perfaz este trio tão diferente e tão disfuncional, digamos assim. Nathaniel foge do sítio onde sempre viveu para escapar dos traumas que sofreu em casa. É uma personagem que dá logo nas vistas porque, para além de ser muito observador, sensível e carinhoso, tem um problema físico que nada mais é do que um pormenor para quem o conhece. Tudo começa quando ele cai em cima de Freya, literalmente, e necessita de cuidados médicos. Harun, como espectador da cena toda não consegue não ajudar e, juntos, os três embarcam numa aventura que não só os vai tornar inseparáveis como nos vão passar mensagens importantes para pensarmos no nosso dia a dia. A forma  como lidamos com os outros, o nosso preconceito para com as pessoas diferentes, a maneira como educámos os nossos filhos e como isso os molda e influencia quando crescem e se tornam independentes.
Como sempre, Gayle Forman apresenta-nos uma maneira de escrever soberba. Faz com que a leitura flua normalmente e, sem darmos conta, o livro já está lido. Tenho de dizer que de todos os que já li até hoje este deve estar no top dos meus preferidos. O ritmo a a que a história decorre também ajuda imenso a prender-nos na leitura sem nos apercebermos e nisso, a autora é exímia.
Recomendo, claro!

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