01/07/2016

Opinião | Pax | Sara Pennypacker | Espaço Infanto-Juvenil

UMA HISTÓRIA FANTÁSTICA QUE ENCHE O CORAÇÃO.

O Peter e o Pax são tão inseparáveis como só os melhores amigos podem ser. Desde que o Peter resgatou o pequeno raposinho, os dois tornaram-se parte um do outro, vivendo grandes aventuras e partilhando momentos inesquecíveis. 
Mas o inimaginável acontece: o pai do Peter parte para a frente de combate, o rapaz tem de ir viver com o avô e, contra a vontade do Peter, o Pax é «libertado» na floresta. Entretanto, o Pax, firmemente à espera do Peter, embarca em emocionantes aventuras e descobertas acerca dele próprio na companhia de novos amigos, como a Bristle e o Runt.
Uma narrativa maravilhosa e mágica sobre as verdades essenciais que nos definem. Num segundo parte-nos o coração e, no segundo seguinte, é capaz de o reconstruir de forma admirável!


Opinar sobre livros dedicados aos mais novos, de facto não é o meu forte, mas é algo que estou decidida a mudar, porque nem todos os leitores são adultos e temos de fazer o nosso melhor para chegarmos a todos (ou quase todos... posso sonhar, não posso?). O gosto pela leitura começa (e muito bem) desde tenra idade, e, aplaudo de pé todas as mães que lêem enquanto ainda estão grávidas, de modo a que a criança se habitue à sua voz e, ao mesmo tempo, ao sentido da leitura desde muito tenrinhos.
Ora primeiro que tudo devo dizer que este livro surpreendeu-me muito. Escrito de uma forma simples, mas muito inteligente de modo a fazer com que os leitores, ainda que mais novos, tenham de pensar profundamente nas lições que se podem tirar desta história absolutamente deliciosa e comovente.
Pax é um raposo criado desde pequenino por Peter e nada sabe da vida selvagem. Para ele apenas existe o "seu rapaz" e pouco mais. Dizer que um é a extensão do outro é dizer pouco. No entanto, algumas más decisões fazem com eles se separem e Pax é libertado para (sobre)viver sozinho. Peter fica destroçado e quando chega à conclusão de que o que fez foi do mais atroz que pode haver, parte em busca do seu amigo e companheiro. Sente dentro de si que ele está vivo, mas que, de alguma forma, não está bem e embarca numa aventura dolorosa e solitária, mas extremamente rica em aprendizagem e que fez com que Peter olhasse bem dentro de si e dos seus medos e os soubesse ultrapassar. Ficar sem Pax e depois partir em busca dele fez com que Peter olhasse mais além dos seus próprios problemas e, ao longo do caminho, aprendesse também que há mais pessoas como ele que precisam de se encontrar, tal como ele quer encontrar Pax.
Pax, por sua vez, encontra-se sozinho e desamparado. Não sabe o que é a vida na floresta e começa mesmo a desconfiar de que não vai conseguir sobreviver sem o "seu rapaz". Não lhe sente o cheiro, não sente o cheiro de casa e não reconhece seja que cheiro for naquele lugar. Está completa e irrevogavelmente perdido. É então que, também ele, resolve embarcar na aventura de ir em busca de Peter. Ninguém disse que iria ser fácil, mas também a jornada de Pax permitiu-lhe crescer, aprender que para além da sua vida confortável há mais alguém como ele que luta todos os dias para não morrer, que lutam todos os dias por mais um dia de vida. É aí que ele conhece o pequeno Runt (um raposinho adorável que me conquistou logo que apareceu) e a sua irmã protectora (deveras) Bristle, que luta pelo seu irmãozinho com garras e dentes. 
Aos poucos, tanto Peter como Pax, vão conseguir chegar um ao outro, numa jornada terrivelmente comovente e intensa, que tem um final surpreendente e de chegar mesmo às lágrimas (pelo menos eu que sou uma chorona). 
Este livro, esta história, consegue transmitir muitos valores aos mais novos através, como eu já disse antes, de uma escrita simples e ao mesmo tempo profunda e verdadeira. É ficção, mas quase que poderia ser realidade. 
Quantos de nós vamos à procura de algo ou de alguém e a meio dessa busca acabamos por nos encontrar a nós próprios? Não será isso o que chamamos "Viver"?
(Este livro foi gentilmente cedido pela Booksmile em troca de uma opinião sincera)

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