03/02/2020

Opinião | Mistério em Nine Elms | Robert Bryndza | Alma dos Livros

Kate Marshall era uma jovem e promissora detective da polícia londrina quando apanhou o famoso assassino em série que operava na região de Nine Elms. Mas a sua maior vitória transformou-se de súbito num pesadelo devido a uma série de circunstâncias inesperadas. Traumatizada, traída e publicamente vilipendiada, Kate pouco pôde fazer enquanto via a sua carreira ser julgada na praça pública.
Mais de quinze anos passados desde esses acontecimentos, embora o seu tempo na polícia esteja ainda bem presente, vive agora uma vida tranquila numa cidade pacífica da costa inglesa. Um dia, porém, Kate recebe uma carta de alguém que faz parte do seu passado e é novamente lançada para a mente distorcida de um assassino que conhece demasiado bem, vendo-se envolvida nos meandros de um caso que só ela poderá resolver.
Com um talento invulgar para entrar na mente criminosa, Kate recorre às suas prodigiosas e há muito descuradas competências de investigadora para enfrentar um caso cujo sucesso promete redenção. Mas há demasiado em jogo: não é só Kate que quer apanhar o assassino… ele também a quer encontrar.
Um thriller brilhante, misterioso e inteligente.

Mais um livro muito bom de Robert Bryndza. Só li um da série da Erika Foster, e agora inicio a da Kate Marshall. A meu ver, este é um autor que adora detectives femininas, e acho que faz ele muito bem. Nem todos os detectives têm de ser homens. As mulheres também podem, e devem, ser figuras de autoridade, poder e respeito. É agradável ver como, cada vez mais, as mulheres conseguem o seu lugar no mundo, apesar de tudo o que o género ainda sofre. 
Ora, neste primeiro livro da série Kate Marshall, temos, precisamente, a nossa detective Kate. Gostei particularmente de termos tido acesso a tudo o que lhe aconteceu quinze anos atrás e que levou a que, actualmente, ela seja uma mulher completamente transformada e diferente do que era no passado. Todas as pessoas mudam, mas Kate praticamente teve de se reinventar por causa de um erro que cometeu. 
Há quinze anos atrás, Kate investigava o caso do Canibal de Nine Elms. Alguém que, violentamente, assassinava as suas vítimas, sempre miúdas adolescentes, e, pasmem, mordia-as até se ficar a ver o osso. Eram muitos os indícios de que se tratava de um assassino em série pois o modus operandus era sempre o mesmo. Queria deixar a sua marca para sempre. No entanto, por um erro do próprio assassino, Kate descobre quem é o Canibal e, apesar de ter ficado às portas da morte exactamente por ter descoberto tudo, Kate consegue sobreviver e colocar o assassino na melhor e mais segura prisão para assassinos com problemas mentais.
Quinze anos depois, já fora da polícia mas sempre ligada ao crime, Kate recebe um pedido de ajuda de alguém que perdeu a filha e nunca a voltou a ver, nem morta, nem viva. Tinham passado vinte anos desde o desaparecimento dessa miúda e tudo apontava para que tivesse sido obra do Canibal de Nine Elms pois coincidia com a altura de todos os seus crimes antes de ser preso.
De professora de Ensino Superior de Investigação Criminal, Kate, juntamente com o seu fiel ajudante Trevor, vai passar a detective privada e, a bem ou a mal, passando novamente por todos os seus traumas e pelos mesmos sofrimentos, vai tentar descobrir quem está por detrás dos novos assassinatos com as mesmas marcas do Canibal e encontrar a miúda que desapareceu nos mesmos moldes das primeiras vítimas. Sendo que o verdadeiro culpado está detrás das grades e bem vigiado, só poderá tratar-se de alguém que deseja seguir os mesmos passos e, de certo modo, prestar homenagem ao verdadeiro Canibal de Nine Elms que fez o terror de todos no passado.
Gostei imenso da forma como o autor criou uma personagem como Kate. Uma mulher que podia ter perdido tudo no passado, inclusive a vida, mas a quem é dada uma segunda oportunidade a todos os níveis. Tem imensos problemas a nível de confiança nos outros, teve de abdicar do seu bem mais precioso para não o perder na totalidade, o filho, e vive com o medo de que a genética seja mais forte que a educação que conseguiu disponibilizar ao filho, da melhor maneira que conseguiu.
Também gostei muito de Trevor. Um jovem estudante que é o assistente pessoal de Kate na Universidade e que tem uma admiração total e absoluta pela sua mentora. Auxilia-a e está sempre disponível para o que quer que ela precise e, no final, acabou por ter um papel muito importante. 
Quero muito ler o desenvolvimento da nossa Kate e saber até onde ela pode chegar. Espero que não demore muito até termos o segundo volume desta série!

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