03/04/2019

Opinião | Perigoso | Minerva Spencer | Quinta Essência

Lady Euphemia (Mia) Marlington foi raptada durante a adolescência e vendida a um harém. Agora que regressa a casa, 17 anos depois, é alvo da curiosidade e da bisbilhotice de todos. Pior do que isso, está prestes a enfrentar a sociedade londrina pela primeira vez, pois o pai fez-lhe um ultimato: ou ela casa ou passa a viver como uma reclusa. Mas Mia tem 32 anos... certamente que os seus pretendentes deixarão muito a desejar.
E no entanto... quem é o homem atraente e de olhar frio que se encontra entre eles? Trata-se de Adam de Courtney, viúvo duas vezes e conhecido como Marquês Assassino. Aos olhos da sociedade, só um louco lhe concederia a mão da filha em casamento. Um louco, ou, claro, o desesperado pai de Mia.
Contudo, esta união poderia trazer grandes benefícios a ambos. Além disso, a atração entre eles é palpável. Poderá a paixão vir a seguir? E se os segredos que cada um esconde vierem ao de cima… não seria catastrófico?
Perigoso é o romance de estreia de Minerva Spencer como romancista. Uma história repleta de aventuras inesperadas, humor e paixão, com um casal de protagonistas que desafia todas as convenções.

“É impossível não amar esta história.”
Madeline Hunter

(Pode Conter Spoilers...) 
De facto, Madeline Hunter tem toda a razão quando diz que “É impossível não amar esta história.". Embora não tenha "amado" esta história, fiquei agradavelmente surpresa com a forma como esta nova autora escreve. Ninguém diria que este "Perigoso" é o seu primeiro livro publicado, pela forma simples e leve como nos dá a conhecer Lady Mia e Adam. Traz-nos uma personagem feminina que é líder, ou melhor, que nasceu para ser líder, embora tenha sido escrava sexual e mulher submissa durante toda a sua adolescência e juventude. É uma mulher forte e senhora de si mesma. Uma mulher experiente tanto a nível social como a nível sexual e, é nesse campo que ela difere das restantes personagens femininas que estamos habituadas a conhecer. A única coisa que deseja é poder ser independente do pai, conseguir um marido que lhe permita a liberdade que ela tanto pretende e salvar a pessoa que lhe é mais importante na vida. Quanto a Adam, é a personificação da tentação. Atraente, másculo, inteligente, frio e com a fama de ser um homem cruel e sem sentimentos. No seu passado tem o peso de duas esposas mortas e a seu cargo três filhas recolhidas no campo. Seria de esperar que quando Adam desposasse Mia, o casamento deles fosse apenas de fachada, permitindo a Mia que ela levasse a cabo o plano que iria permitir mudar o seu futuro. No entanto, Adam revela-se um homem completamente diferente do que mostra ao resto do mundo. Consegue ser implacável, mas, é também um homem terno, carinhoso e apaixonado. Não quer saber do que a sociedade pensa sobre si e o que aconteceu no passado, mas quando conhece a irreverente Mia, tudo o que julgava que estava decidido e projectado na sua vida, muda completamente. A partir do momento em que desposa Mia, não pensa em mais nada a não ser naquela paixão que sente pela esposa. Ao mesmo tempo que tenta não ceder ao que sente por Mia, dia após dia, ela vai-se entranhando na sua vida e na sua forma de lidar com os demais. Torna-se um homem mais acessível, embora mantendo sempre o seu nível invejável de perigo. Sejamos sinceros, Adam não é um homem com quem se queira ter uma quezília, apesar de estar a mudar aos poucos. Parece-me que a questão é que Adam sempre foi um incompreendido. Nunca ninguém teve o cuidado, nem a preocupação de saber como ele tinha ficado ou como se tinha sentido por ter perdido as duas esposas, ainda jovens, e como se viu a braços com três filhas. Toda a sociedade foi peremptória em dar-lhe todas as culpas apelidando-o de Marquês Assassino. Se Mia era uma mulher marcada pelo seu passado, também Adam o era. Só que, no caso de Mia, ela tirou o melhor e maior proveito do que passou. Inteligência aguçada, objectivos definidos e um coração enorme que lhe permitia amar sem reservas.
Gostei da forma como a autora conseguiu fazer com que Mia e Adam complementassem os seus defeitos e virtudes e fazer com que os mal entendidos e traumas não fossem uma forma de encher páginas sem necessidade. Acho que para primeiro livro, esteve muito bem e conseguiu captar a nossa atenção para os seguintes.
Não dei uma classificação maior apenas pelo facto de que, apesar de ter gostado e de ter sido uma leitura muito agradável, não senti ainda aquela faísca entre as personagens principais. Havia atracção, sem sombra de dúvida, mas não senti que aquele "rastilho" que tantas vezes existe entre certas personagens e que nos dá sempre a ideia de que vai acender e pegar fogo a tudo. Talvez por estas duas personagens serem tão experientes e terem tantas vivências no passado tenham sabido gerir melhor a paixão que existia entre elas.
Fico a aguardar o livro seguinte e recomendo este, claro! 

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