05/04/2019

Opinião | Levaram Annie Thorne | C.J. Tudor | Editorial Planeta

Naquela altura…
Uma noite, Annie desapareceu. Sumiu da sua cama. Houve buscas, apelos. Todos pensaram o pior. E depois, miraculosamente, após quarenta e oito horas, ela voltou. Pensou-se que não queria ou não conseguia dizer o que lhe acontecera.
Mas alguma coisa aconteceu à minha irmã. Não sei explicar o quê. Só sei que quando voltou, já não era a mesma. Não era a minha Annie. Não queria admitir de forma alguma que às vezes tinha um medo de morte da minha irmãzinha…

Agora…
O e-mail chegou à minha caixa de correio há dois meses.
Quase o apaguei de imediato, mas fiz clique para abrir:

SEI O QUE ACONTECEU À SUA IRMÃ. ESTÁ A ACONTECER DE NOVO.

Quando a minha irmã tinha oito anos, desapareceu… mas depois voltou. O pior dia da sua vida não foi quando a irmã foi levada… foi o dia em que ela voltou.

(Pode Conter Spoilers...) 
Por onde começar? Ora, acho que a primeira coisa a dizer é que este livro foi alvo de uma campanha de marketing fabulosa. Como podem ver na foto acima, recebi o exemplar de avanço acompanhado de uma bonequinha de pano, (adoro pois faz-me recordar as bonequinhas que tinha quando era criança), que é um elemento recorrente durante o livro. A campanha de lançamento deste livro também contou com a presença da autora em Portugal numa recepção fantástica a todos os leitores e bloggers que estavam ansiosos por conhecer a mulher que nos prendeu a atenção desde o primeiro livro que escreveu "O Homem de Giz". Tal como no primeiro livro, a capa é fantástica de tão "tenebrosa" que é. Dá-nos logo a entender que o seu conteúdo não será, de todo, uma história banal e sim algo que aconteceu que é capaz de fazer gelar ossos.
Bem, peguei neste livro com uma expectativa enorme e não era para menos. Depois de ter conhecido a forma de escrever de C.J. Tudor com o primeiro livro, mal podia esperar para ler este. Mais uma vez, não fiquei desapontada. A autora traz-nos a história de Joe Thorne. Uma personagem marcada física e emocionalmente por eventos trágicos que ocorreram quando era apenas um adolescente, nos anos 90. Novamente, foi bom recordar a década de 90 e reconhecer certas coisas de quando eu própria era uma adolescente. Qual o acontecimento que o terá marcado mais? A meu ver, o que despoletou tudo foi o desaparecimento de Annie, a irmãzinha de 8 anos de Joe que o seguia para todo o lado. Annie desapareceu durante dois dias e, ao contrário do que geralmente acontece quando uma criança desaparece, ela volta a casa. Desde que isso acontece que Joe repara que Annie já não é a mesma menina que era antes de desaparecer e, ao tentar desvendar o que de facto aconteceu, mais um acontecimento trágico dá-se e tanto Annie como o pai morrem num acidente de carro.
Vinte e cinco anos passados, Joe regressa à aldeia onde tudo aconteceu, por vários motivos. Para tentar saber ao certo o que aconteceu a Annie. Para vingar-se de quem ele tinha a certeza que tinha sido o causador de tudo o que tinha acontecido e para tentar emendar alguns (muitos) erros da vida que andava a levar.
Tal como já estava preparada, o final deste livro foi tipo um "mind-blower". A forma como a autora consegue juntar todos os pontos e todas as personagens do presente e do passado, bem como as que foram morrendo, é de uma mestria admirável. O ambiente sinistro e aterrador que cercava Joe e a aldeia de Arnhill, o centro de tudo, é aterrador e a cada capítulo que passa, ficamos sempre com a sensação sinistra de que algo ainda mais assustador vai acontecer. No entanto, há passagens do livro que são mais morosas e lentas, o que para alguns leitores é bom, pois aumenta o suspense mas para outros leitores, como eu, que são mais curiosos e ansiosos acaba por nos deixar num estado de irritação latente. Nesses capítulos tenho de confessar que ia espreitar o que acontecia no capítulo a seguir e ficava mais tranquila porque tinha a noção de que aquela morosidade era por um bem maior.
Tenho de realçar o Prólogo e o Epílogo. Se o primeiro abre-nos a porta para uma história de terror horripilante, com mortes, muito sangue e descrições que nos grava as imagens na mente, o último por sua vez traz-nos aquele terror que nos dá arrepios interiores. Admito que gelei quando li o epílogo, até porque é um tipo de terror que me deixa assustada até às raízes da alma. Adorei! 
Recomendo vivamente!

Agora, uma questão fica no ar: Para quando o próximo livro de C.J. Tudor?!

11 comentários:

  1. Também quero uma boneca de pano!
    Ainda não me aventurei pela leitura de C.J. Tudor, mas é uma autora que pretendo apostar num futuro próximo.
    Mundo da Fantasia

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    1. É muito, muito bom! Tem de ler o Homem de Giz antes... é fantástico! Nunca tinha lido esta autora e adorei. Fiquei fã :)

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  2. Respostas
    1. O epílogo? Do livro? Ou não percebeu a sinopse (resumo) que vem no livro? Ou foi a opinião que não percebeu? Acabo por não saber ao certo o que foi que não percebeu....

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  3. Não entendi o que se trata o epílogo do livro (SPOILER)
    Onde fala de umas crianças, um tal de Henry e etc.
    Alguém entendeu?

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    1. O epílogo ele "abre" portas para entendermos o que aconteceu no chalé onde mais para frente o Joe iria morar, e pelo que deu a entender, o menino que morava no chalé também havia sumido antes e voltado diferente (igual a Annie).

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  4. "O que aconteceu com Annie" e "Pegaram Annie Thorne" são os mesmos livros?

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  5. Sim, o primeiro título em português BR e o segundo em português de portugal

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  6. Gente, no final do livro não esclarece de fato o que aconteceu com ela, ou eu quem não entendi ??

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