21/12/2016

Opinião | Por Treze Razões | Jay Asher | Presença

Ao regressar das aulas, Clay Jensen encontrou à porta de casa uma estranha encomenda com o seu nome escrito, mas sem remetente. Ao abri-la descobriu sete cassetes com os lados numerados de um a treze. Graças a um velho leitor de cassetes, Clay é surpreendido pela voz de Hannah Baker, uma adolescente de dezasseis anos que se suicidara duas semanas antes e por quem estivera apaixonado. Na gravação, Hannah explica os treze motivos que a levaram a pôr fim à vida. Guiado pela voz de Hannah, Clay testemunha em primeira mão o seu sofrimento e descobre que os treze motivos correspondem a treze pessoas
Suicídio. Quantas e quantas histórias já foram escritas sobre este tema? Várias. E, partindo seja de quem for, é sempre doloroso para quem fica e até para quem toma a decisão de acabar com a própria vida.
Hannah Baker era uma jovem que, tal como outras tantas, só queria ser aceite pelos seus colegas de escola. No entanto, através de sete cassetes audio que ela grava durante vários dias até tomar a decisão de pôr termo à vida, Hannah dá-nos acesso a uma jovem triste, deslocada, injustiçada pelos demais colegas. Através de cada cassete que ouvimos através do walkman do amigo de Clay Jensen, sentimos a dor de cada amigo e amiga que a empurram cada vez mais para o abismo. A cada cassete que acaba, damos conta de que é tão fácil acabar com a vida, com as esperanças e com os sonhos de alguém ainda agora está a começar a vida a sério. São gestos como lançar boatos falsos, acalentar esperanças para depois as "esmagar", gestos como aproveitarem-se da boa vontade de alguém que só se quer integrar para depois as ignorar. Assédio, maus tratos psicológicos, tudo isso leva a que alguém de tenra idade só queira desaparecer e, a meu ver, são por serem tão tenros em idade que têm a coragem suficiente para dar o último passo. Acontece que quem parte, não sabe quem vai magoar dos que cá ficam. Afectam pais, pelo menos os que se importam, afectam os amigos que o são de verdade e afectam alguém que, provavelmente, só queria a oportunidade de ajudar, de amar, de apoiar ao longo do caminho. Ao invés disso, fecham-se cada vez mais, até não passarem apenas de um corpo que deriva de um lado para o outro, vendo os outros serem felizes e completamente à vontade na vida que levam, nos amigos que têm e no futuro que têm pela frente.
Esta história dá-nos essas duas faces da moeda. Dá-nos aquilo que Hannah sentia e sofria e dá-nos, também, acesso ao sofrimento de quem só queria ter podido ajudar e de quem sempre sentirá a falta dela.
Este tema, em particular sendo entre pessoas tão novas, afecta-me bastante porque tenho uma filha e o medo que sinto de que um dia ela ache que não é aceite exactamente da maneira que ela é, a afecte e a leve por caminhos irreversíveis. 

A todos os que desconfiam de alguém que esteja a pensar nisso, em colocar fim à vida, basta que se aproximem e perguntem no que podem ajudar. Ás vezes é o quanto basta para fazer mudar de ideias e passar a imagem de que ainda há quem se preocupe. A Hannah foi o que fez toda a diferença.

Mais informações sobre este livro AQUI

(Este exemplar foi gentilmente cedido pela Editorial Presença em troca de uma opinião sincera)


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