08/06/2020

Opinião | Voltar a Amar-te | Carrie Elks | Planeta Editora

Vale a pena dar uma segunda oportunidade ao amor?

Beth Lawrence tem vinte e nove anos e a vida encarrilada. Um emprego que adora, um marido rico e uma bela casa estão muito distantes da tragédia que a atingiu quando tinha dezanove anos. Mas agora que o passado parece ter ficado para trás, um antigo amor entra de novo na sua vida. E traz recordações dolorosas de uma época que se esforçou muito para esquecer, reanimando uma paixão que tentou enterrar anos antes.
Niall Joseph é um artista em ascensão, regressado do seu sucesso na América. Tendo-se voluntariado para ensinar numa clínica para toxicodependentes de bairros problemáticos, a última pessoa que está à espera de encontrar é a rapariga que lhe destroçou o coração há nove anos. Trabalhar juntos permite-lhes sarar feridas antigas e forjar uma ligação mais profunda.
Uma ligação que começa lentamente a inflamar-se. Ao mesmo tempo que se envolve com uma criança negligenciada e a sua mãe toxicodependente, Beth sente-se atraída por Niall. Mas nenhum deles pode prever como é difícil trilhar a ténue fronteira entre amizade e desejo. Um coração destroçado pode reaprender a amar?

Carrie Elks foi uma boa surpresa. Quando peguei neste livro não tinha as expectativas lá muito no topo porque às vezes corre mal.
Assim, na desportiva, comecei a ler e, aos poucos, fui começando a gostar bastante do que estava a ler. A autora adopta uma escrita leve e simples, de modos a que a leitura não se torne aborrecida e lenta. Cria personagens com personalidades distintas mas fortes nas suas formas de pensar e agir de acordo com o que se lhes depara.
Temos uma Beth que, tendo um passado carregado de drama e de situações de levar qualquer um "ao fundo do poço", decide deixar tudo para trás, inclusive uma paixão avassaladora que acabou por lhe destruir a vida, e constrói uma vida calma, consistente e cheia de objectivos, casada com um homem muito mais velho do que ela, mas que a salvou na altura exacta em que ela precisava de ser salva. Embora tenha sentido um carinho especial pelo homem que lhe deu uma vida nova e a protegeu até aos dias actuais, percebi também que, mais cedo ou mais tarde aquele casamento havia de ser prejudicado pela grande diferença de idades entre os dois e até pelo status social de onde cada um estava habituado a viver. Enquanto que ela já tinha passado pelo pior que a sociedade tem a "oferecer", ele é rico e bem conhecido na sociedade como um homem elegante, educado e senhor de uma finura e classe que não se coadunava, de todo, à maneira de ser de Beth. No entanto, durante algusn anos, foi um casamento feliz, até ao dia em que deixou de o ser, muito devido ao facto de a antiga paixão ter reaparecido e ter sacudido a vida calma e ponderada que Beth tinha construído a muito custo.
Niall tinha sido aquela paixão assombrosamente intensa que apanhou a jovem Beth desprevenida e apoderou-se de todo o seu ser quando o que devia estar a fazer era estar empenhada na Universidade e em ser alguém na vida. No entanto, quis o destino que Niall, um jovem artista demasiadamente atraente para o seu próprio bem, atravessou-se no caminho de Beth, levando-a a cometer loucuras e a entrar por caminhos travessos. Uma tragédia, contudo, fez com que se separassem abruptamente e, desde aí, nem um, nem outro voltou a ser feliz.
Quando Niall reaparece, Beth nem quer acreditar, mas, ao mesmo tempo, aceita que o que sentia por ele estava apenas adormecido no fundo da sua mente e do seu coração e, até se convencer de que tem que tomar uma atitude madura e responsável em relação a toda a sua vida, Beth vai ter de rever e reavaliar tudo o que conseguiu até ali e do que vale a pena abrir mão para ser real e plenamente feliz ao lado de quem ela ama.

Gostei bastante da forma como a autora conseguiu transformar o Niall rebelde e inconsequente num artista cheio de emoções mas mais responsável e ponderado, ainda que sempre com a mesma intensidade de sentimentos.

Recomendo!

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