26/09/2018

Opinião | Guarda-me Para Sempre | Brigid Kemmerer | TopSeller

Duas vidas que se cruzam por acaso.
Um grande amor que nasce nas entrelinhas.
Juliet ainda não conseguiu aceitar a morte da mãe. Quatro meses depois, continua a escrever-lhe cartas, deixando-as junto à campa, numa tentativa desesperada de manter a mãe viva e bem perto de si.
Declan é o tipo de rapaz que todos temem. Depois de se meter novamente em sarilhos, é obrigado a prestar serviço comunitário no cemitério local. Além da sua má reputação, ele enfrenta também os demónios do passado. Quando Declan lê uma das cartas que Juliet deixou no cemitério, decide também ele escrever-lhe. Nasce assim uma relação magnética e inexplicável. As palavras que trocam por carta, dia após dia, são libertadoras e reconfortantes, e o amor vai nascendo nas entrelinhas do acaso.
Até ao dia em que a vida real ameaça quebrar todo o encanto. Juliet e Declan estão prestes a descobrir coincidências terríveis que os mudarão para sempre.
Muito mais do que uma história de amor!
Uma viagem apaixonada pela magia dos acasos, que nos mostra que o destino pode ser, simultaneamente, cruel e fantástico.
(Pode Conter Spoilers... Ou não) 
Livros como este fazem-me sorrir e ficar bem disposta. Não porque seja um livro cómico ou trivial. É um livro repleto de emoções e cambalhotas interiores. Faz-me lembrar imenso um outro livro que li do género e que, na altura, também adorei. 
Ora bem, de uma forma simples e consistente, a autora apresenta-nos a história de Juliet e Declan. Dois jovens adolescentes que passam por uma fase muito complicada e que, aos poucos, vão aprender que nem tudo é o que parece e nem tudo o que parece o é, de facto.
Juliet perdeu a mãe. O seu pilar de força, a sua inspiração para querer ser alguém com um propósito na vida. Não sabe lidar bem com essa perda e, diariamente, vai ao cemitério falar com a mãe. Fá-lo através de cartas que escreve e deixa lá no sítio onde a mãe jaz para sempre. Ela sabe que o que faz é inútil porque a mãe nunca mais vai ler as cartas dela, mas é uma forma de extravasar toda a dor que sente, uma vez que era a forma que mais usavam para comunicar visto que a mãe era fotógrafa e viajava imenso. 
Declan, por sua vez, também perdeu alguém importante para ele e, como consequência, torna-se em alguém que se mete em sarilhos e que afasta toda a gente pela sua má reputação e suposto mau feitio. Tem apenas um amigo que lhe ampara as quedas e o suporta em todos os maus momentos. Declan está a cumprir serviço comunitário por má conduta e mau comportamento na sociedade. Cumpre horas no cemitério a tratar do relvado e a limpar as campas e é aí que encontra a carta de Juliet para a mãe e resolve envolver-se, anonimamente, naquela situação, deixando a sua marca.
A partir daí, Juliet e Declan, sem se conhecerem, mas ao mesmo tempo, conhecendo-se, vão ultrapassar juntos, mas separados (é confuso, eu sei), por um turbilhão de emoções. Fúria, tristeza, aceitação, superação e crescimento pessoal. 
Apaixonam-se um pelo outro, como seria de esperar, mesmo sem terem a noção de quem são, embora a meio da história Declan junte os pontos soltos e descubra quem é a miúda misteriosa que passa os dias no cemitério a chorar pela mãe perdida.
Aos poucos, Juliet, sem saber, vai ajudar Declan a ser uma pessoa melhor. Alguém mais afável e menos zangado com o mundo. Ele, por sua vez, vai ajudar Juliet a ultrapassar a perda e vai mostrar-lhe que o amor e a compreensão não curam, mas ajudam a superar as adversidades. 
Acho linda a forma como a autora apresenta Juliet e Declan ao amor. São adolescentes, mas têm já uma grande bagagem pessoal e emocional para carregar pelo resto da vida. Terão sempre que lidar com o passado e com as suas consequências. Vão apoiar-se um no outro, porque um amor que nasce assim, não morre. Fortalece-se!
Gostava de ter tido mais de Juliet e Declan juntos, sem ser por correspondência escrita, mas o que tivemos no final é tão intenso e amoroso que acaba por compensar :)

Adorei e recomendo vivamente.

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