12/10/2017

Opinião | Ilhas de Paixão | Miriam Hotchkiss | Planeta Editora

Paixão e sensualidade nos Açores do século XIX.
Uma heroína inesquecível, que toma o destino nas próprias mãos, afrontando o oceano e os preconceitos de uma sociedade puritana.
Um novo e arrebatador romance histórico repleto de erotismo, escrito sob pseudónimo por uma nova autora que possui a qualidade literária e o bom gosto que fazem os grandes romances.
As personagens têm vida e uma densidade psicológica que as torna credíveis e inesquecíveis. Uma história que fica em aberto: a heroína termina o livro aportando um novo destino, para continuar a sua demanda de se tornar de corpo e alma senhora de si própria e da sua fome de viver.
Em plena época vitoriana, Emily Newham, uma jovem inglesa, destemida, filha de um vigário de província, com uma paixão por cavalos e livros, consegue fugir à tirania familiar candidatando-se a um lugar de perceptora no estrangeiro.
Colocada nas remotas ilhas dos Açores, embarca para um futuro desconhecido e cheio de promessas. É nessas luxuriantes e misteriosas ilhas, junto de uma estranha e sensual família holandesa, que Emily despertará para a escaldante aventura de viver com todos os sentidos. Uma aventura inebriante, mas que terá um preço.
Como Emily descobrirá, também este paraíso tem as suas serpentes, os seus venenos ocultos e segredos inconfessáveis – e o dedo acusador, não de Deus mas do preconceito, que, como ele, está por toda a parte…
Paixão, sensualidade e a ousadia de uma mulher que cavalga as ondas do destino e toma em mãos as rédeas da própria liberdade.

(Pode Conter Spoilers...Ou não)
Miriam Hotchkiss acertou em cheio na descrição das lindas ilhas dos Açores (acreditem, eu sei... sou de S. Miguel). Tive pena de que o livro todo não se passasse na ilha onde vivo pois sentiria-me mais à vontade para reconhecer sítios e costumes. Nunca estive no Faial, nem na lindíssima ilha do Pico, que é visível para quem vive no Faial.
Embora esta história se tenha passado numa época que não a actual, acredito que muito do que foi descrito continue a ser igualmente verdade actualmente, pois o Arquipélago dos Açores mantém muito ainda do verde e das zonas inóspitas e escondidas. Protegidas da mão humana, digamos assim.
Neste livro em particular conta a história de Emily. Uma jovem britânica a quem a vida nunca foi muito generosa e que, agora sem o pai e sem mãe, está à mercê do irmão que nunca gostou verdadeiramente dela. Irmão este que, ainda por cima, vai casar-se com uma rapariga com a mania das grandezas e de que é melhor do que qualquer pessoa, muito porque também foi criada a pensar que o era. Culpa dos pais que sempre a mimaram e nunca a fizeram ver que não era nem melhor, nem pior que todos os outros e que para se ser uma boa pessoa e amada por todos, temos de ser sinceros, humildes e honestos. Isso era tudo o que Emily era e mais. Era uma jovem com sede da descoberta e da aventura. Tinha um fogo dentro de si que nada conseguia aplacar. Com a ajuda dos pais da noiva do irmão, consegue sair do país rumo às ilhas portuguesas e rumo à liberdade.
Fiquei um pouco decepcionada em perceber que o único foco dela não era apenas a liberdade de movimentos e de pensamentos e sim alguma libertinagem. Envolve-se de forma íntima com um desconhecido na viagem de barco rumo aos Açores e, uma vez chegada às ilhas, começa uma jornada completamente pecaminosa e deveras anormal em casa dos novos patrões, uma vez que ela tinha sido contratada para tomar conta de uma senhora de idade avançada.
É bem certo que, sendo uma jovem rebelde, porém sempre educada, longe de casa e dos "grilhões" do irmão e com patrões estrangeiros (países nórdicos) Emily não iria pensar duas vezes em libertar-se por completo. No entanto, e debaixo do escrutínio do povo açoriano, que sabia bem o que se passava na casa dos estrangeiros, Emily sofrerá na pele as consequências dessa libertinagem e, também, da malvadez de uma mãe que tem como único foco proteger a filha (que não sabe que é filha dela) e livrar-se da bagagem indesejada (a velhota à guarda dos estrangeiros e responsabilidade de Emily). Tudo o que se passa nas belas ilhas açorianas ditará o futuro de Emily e levará a que ela fuja para bem longe e aí sim, encontre realmente a sua liberdade física, mental e emocional.
Sinceramente, estava à espera de uma história um pouco mais romantizada e menos promíscua, pese embora este livro seja romance erótico. Nas horas em que havia de facto algum envolvimento faltou-lhe calor e paixão, restando apenas os contactos corporais e troca de "favores". Faltou-lhe alguma chama, no meu ponto de vista. No entanto, é um livro que vale a pena ler, principalmente as descrições das nossas belas ilhas açorianas!
(Este exemplar foi cedido ao Sinfonia em troca de uma opinião sincera)

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