26/02/2016

Opinião | A Cada Dia | David Levithan

A cada dia um novo corpo. A cada dia uma nova vida. A cada dia o mesmo amor pela mesma rapariga.

A cada dia, A acorda no corpo de uma pessoa diferente. Nunca sabe quem será nem onde estará. A já se conformou com a sua sorte e criou regras para a sua vida:

Nunca se apegar muito. Evitar ser notado. Não interferir.

Tudo corre bem até que A acorda no corpo de Justin e conhece Rhiannon, a namorada de Justin. A partir desse momento, as regras de vida de A não mais se aplicam. Porque, finalmente, A encontrou alguém com quem quer estar a cada dia, todos os dias.



Livros como este são a razão pela qual é tão bom ler. Conhecer novas e loucas histórias. Ter acesso a aventuras que nem nos nossos sonhos mais estranhos se poderiam passar. É uma loucura sequer imaginar que não temos corpo definido. Que não temos uma identidade fixa desde o dia que nascemos e que mesmo pulando de corpo em corpo conseguimos separar o que é nosso e o que é do corpo que nos abriga durante um dia, seja masculino ou feminino.
A meu ver, por um lado pode ser excitante não sabermos onde e em quem vamos acordar no dia seguinte. Que pessoas vamos conhecer, ainda que por apenas um dia, que aventuras vamos viver e de que forma vamos poder ajudar aquele corpo em específico.
É bem verdade que quando somos adolescentes temos a chamada "fase complicada de transição" em que pensamos que somos tudo e afinal de contas não nos conseguimos adaptar a nada. Tudo nos parece inadequado, tudo nos parece vago e tudo nos parece vazio. É esta a mensagem que David Levithan quer passar com este livro fantástico. Devorei cada linha, cada página sempre com aquela ânsia de saber quem seria o próximo "hospedeiro" daquele ser tão, tão... intenso. A personagem "A", a certa altura conhece alguém e esse alguém será o centro da sua existência. É concentrado nessa pessoa que "A" conseguirá criar memórias e, apesar de continuar a acordar todos os dias num corpo novo, mantém-se completamente apaixonado pela mesma pessoa todos os dias. É essa pessoa que ele ama e que aprenderá a amá-lo que o mantém agarrado a uma constante, ao amor e ao ser-se completamente focado na mesma pessoa todos os dias. Acorda todos os dias num corpo diferente, mas o pensamento é sempre o mesmo.
É caso para dizer que eu fui completamente cilindrada por este livro, pela maneira simples e leve como o autor escreve e nos descreve o que se passa no pensamento de "A". Ao mesmo tempo que o meu coração se compadecia da terrível condição nómada de "A", ao mesmo tempo torcia para que todos os dias ele tivesse oportunidade de ser melhor, de crescer interiormente e conseguir ajudar tantas pessoas quanto conseguisse.

Adorei, devorei e com certeza recomendarei a muitos outros leitores. Arrebatou-me por completo.

(Este Exemplar foi gentilmente cedido pela TopSeller em troca de uma opinião sincera)

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