14/04/2015

Opinião "A Bela e o Vilão" de Julia Quinn


Libertino. Devasso. Debochado. Três adjectivos que podiam descrever Michael Stirling na perfeição. Bem conhecido nas festas londrinas, quer desempenhasse o papel de sedutor ou o papel de seduzido, uma coisa era certa: nunca entregava o coração. Ele teria até acrescentado a palavra “pecador” ao seu cartão de visita se não achasse que isso mataria a pobre mãe.
Mas ninguém é imune ao amor. Quando a seta de cupido atinge Michael, dá início a uma longa e tortuosa paixão – pois o alvo dos seus afectos, Francesca Bridgerton, tem casamento marcado com o seu primo. 
Mas isso foi antes. Agora, Francesca está novamente livre. Infelizmente, ela vê Michael apenas como um ombro amigo – até à fatídica noite em que lhe cai inocentemente nos braços, e a paixão se revela mais poderosa e intensa do que o mais perverso dos segredos…


*Pode Conter Spoilers*

Tenho de começar esta opinião com o meu agradecimento às Edições ASA por me terem disponibilizado este sexto volume das Crónicas dos Bridgerton.

Tenho de admitir que esperava algo um pouco mais ... como hei-de dizer? Profundo? Arrebatador? Sim, podem ser estes os adjectivos. O que não quer dizer que não tenha adorado. Se há autora que consegue fazer com que eu leia um livro em menos de 24 horas, essa autora é Julia Quinn. Não há como criticar de uma maneira negativa um livro dela, muito menos ainda sendo um desta série familiar cheia de humor, sensualidade e paixão. 
Nos primeiros quatro livros, todos os capítulos começavam com os famosos excertos das crónicas *deliciosas* de Lady Whistledown. No entanto, no quinto livro passou-se a usar as cartas entre Eloise e Sir Phillip de maneira a que os leitores continuassem a passar os capítulos de uma maneira ávida e compulsiva. Ora bem, aqui neste volume dedicado a Francesca, talvez a Bridgerton que menos conhecemos, é engraçado ver como Julia Quinn conserva o método de utilizar excertos de cartas, desta feita, entre várias das personagens envolvidas. Algo que muito me cativou e que acabou por seguir o mesmo estilo adoptado nos volumes anteriores. (equipa que ganha, não se mexe).

Se no livro anterior Eloise e Phillip não se conheciam de maneira nenhuma, no caso de Francesca e Michael a situação é completamente diferente. Não só eles se conhecem, como são os melhores amigos, visto que Michael é primo muito próximo e chegado a John, marido de Francesca. Quis o destino que John partisse da vida de Francesca demasiadamente cedo, deixando-a apenas com a saudade, com a dor e um coração quebrado. De não esquecer que para trás também ficou Michael. E era nele que ela contava apoiar-se, não fosse ele fugir para longe, ensombrado pelo amor que sentia por ela e o qual não podia declarar por respeito à memória de John. 

Por entre o desgosto e dor de ter perdido o marido que ela tanto amava, seria de se esperar que Quinn desse uma pequena trégua à nossa pobre Francesca. Não foi o caso. No entanto, todos os traumas, desgostos e infelicidades que a autora reservou à nossa bela Bridgerton serviram não só para nos mostrar a força interior que uma mulher pode ter face às adversidades da vida, mas também para fazer com que ela se tornasse mais madura, mais forte e mais "rija". 

Estaria aqui o dia todo a contar-vos *tintim por tintim* o que acontece ao longo de todo o livro, mas como bem sabem, não é o meu modo de opinar. 

É certo que não dei a mesma pontuação a este volume que dei aos outros, mas há uma boa razão: Não é tão bem humorado (apesar de em certas ocasiões tenha-me partido a rir) e repleto de peripécias como os anteriores, que me fizeram rir a bom rir. Faltou-lhe a leveza patente nos outros. Este tem uma forte carga emocional. Francesca sofre a bom sofrer e não seria de esperar que fosse de outro modo. Não é fácil amar-se tanto alguém e depois de uma hora para a outra perdê-la, ainda mais naquela época em que os recursos médicos não eram, nem de longe nem de perto, o que são hoje em dia. 
No entanto, não posso deixar de referir que Michael é um "libertino" adorável. Mesmo guardando aquele segredo que o consome a cada dia, mantém-se fiel ao primo, mesmo após o seu falecimento. Lidou com a situação de uma maneira um pouco cobarde, pois fugiu para longe e por muito tempo, mas na situação dele(s) é compreensível. Acho até que ele foi um homem muito correcto e muito honesto. Pelo menos, enquanto conseguiu.

Se tiverem a oportunidade de ler este livrinho *delicioso* não hesitem e continuem a acompanhar a nossa família preferida.

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